Foto: Vinicius Becker (Diário)
A redução histórica dos homicídios em Santa Maria, detalhada em levantamento publicado pelo Diário de Santa Maria nesta sexta-feira (17), levantou um questionamento: a queda da violência letal no município pode estar relacionada ao aumento de crimes violentos registrados nas últimas semanas em cidades da Quarta Colônia? Para aprofundar essa discussão, a reportagem ouviu o delegado Adriano De Rossi, titular da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), e o advogado criminalista e professor universitário Raphael Urbanetto Peres.
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Os dois especialistas descartam uma resposta simples para o fenômeno, mas concordam que as organizações criminosas já atuam de forma descentralizada no Estado, alcançando cidades de diferentes portes conforme seus interesses.
Segundo De Rossi, o crime organizado já não concentra sua atuação apenas nos grandes centros urbanos. A dinâmica, explica, acompanha os interesses das facções na disputa por territórios e pelo controle do tráfico de drogas.
— Hoje, o crime organizado não tem mais essa questão de cidade pequena, grande ou média. A depender dos interesses das facções, eles acabam cometendo crimes para manter a hegemonia do território ou conquistar novos — afirma.
Na avaliação do delegado, os episódios registrados recentemente na Quarta Colônia refletem essa dinâmica. Por isso, o principal desafio das forças de segurança é impedir que disputas entre grupos rivais desencadeiem uma sequência de represálias e novos homicídios. Até o momento, segundo a DHPP, Santa Maria não registrou casos de revide ligados ao crime organizado em 2026.
Peres compartilha avaliação semelhante. Para ele, as organizações criminosas já estão presentes em praticamente toda a região e tendem a reorganizar sua atuação quando encontram maior repressão por parte das forças de segurança.
— Eles já estão em toda a Quarta Colônia. As facções estão presentes em praticamente todo o Estado, com maior ou menor força. Quando há uma maior repressão, como qualquer organização, elas tendem a migrar para outros locais.
Peres ressalta, porém, que a presença das facções, por si só, não explica todos os crimes violentos registrados na região. Segundo ele, cada homicídio deve ser analisado individualmente para que seja possível identificar sua motivação e eventual relação com disputas entre organizações criminosas.