“Foi um desastre para nossa região”, diz prefeito de Restinga Sêca sobre solturas na Quarta Colônia

“Foi um desastre para nossa região”, diz prefeito de Restinga Sêca sobre solturas na Quarta Colônia

Foto: Polícia Civil (Diário)

Operação Quarta Colônia Livre foi deflagrada em 2025, em seis municípios da região de imigração italiana, além de Santa Maria, Porto Alegre e Charqueadas.

O prefeito de Restinga Sêca, Norton Soares, afirmou que a insegurança provocada pela disputa entre facções na Quarta Colônia já preocupa o município e pode trazer reflexos para além da segurança pública, principalmente no turismo e na economia local. Em entrevista ao vivo ao programa Bom Dia, Cidade desta terça-feira (8), o prefeito avaliou que os efeitos ainda são menos diretos em Restinga Sêca, mas disse que o município está em estado de atenção diante do cenário registrado na região.

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A preocupação aumentou após a soltura da maioria dos réus da Operação Quarta Colônia Livre, no fim de julho. Desde então, autoridades de segurança têm relacionado parte dos episódios recentes de violência na região à disputa entre dois grupos pelo controle do tráfico de drogas.

Para Norton, a decisão que colocou os investigados em liberdade representou um retrocesso para a segurança regional.

— Isso nos preocupa muito. Essa soltura de um grupo grande foi um desastre para a nossa região. Estamos em uma ascendência no turismo, então isso é especialmente ruim. A insegurança assusta o turista e acaba tendo reflexos em outras áreas, não só na segurança pública — afirmou.

Restinga Sêca em atenção

Segundo o prefeito, os episódios mais graves observados recentemente estariam concentrados principalmente em Faxinal do Soturno, Agudo e Dona Francisca. Em Restinga Sêca, conforme Norton, os reflexos ainda são menos diretos.

Apesar disso, ele afirma que a administração municipal acompanha a situação com preocupação. Na avaliação do prefeito, a expansão de grupos criminosos para cidades menores e a disputa entre eles aumentam os riscos para moradores que não têm qualquer envolvimento com o crime.

— Estamos em uma fase muito complicada dessa migração das facções, e elas estão conflitando entre si. Quando uma tenta entrar no território onde a outra domina, isso vira um conflito que não se restringe à briga direta entre eles. A população paga o preço muitas vezes — afirmou.

Norton também disse ter conhecimento da presença de lideranças ligadas a facções em algumas comunidades de Restinga Sêca. A afirmação foi feita pelo prefeito durante a entrevista, sem detalhamento sobre locais ou pessoas.

Marcações em obras chamam atenção

Outro fato que despertou a atenção no município, segundo Norton, foi o aparecimento de números marcados com giz em obras que estão em construção.

O prefeito ressaltou, porém, que não há qualquer confirmação de que as marcações tenham relação com grupos criminosos. Segundo ele, a situação apenas levantou suspeitas e a origem das inscrições ainda é desconhecida.

— Surgiu aqui, em obras que estão em construção, demarcações de números de giz que apareceram e a gente não sabe de onde. É uma questão que apenas levanta uma suspeita, mas não temos condições de dizer que tenha alguma relação com essas facções — ponderou.

Diálogo com as forças de segurança

Diante do cenário regional, Norton afirmou que a prefeitura mantém contato com a Brigada Militar e a Polícia Civil. Segundo ele, as forças de segurança acompanham os acontecimentos e repassam orientações aos municípios, embora parte das informações das investigações não possa ser compartilhada.

— A gente tem dialogado tanto com a Brigada Militar, que faz a atuação mais ostensiva, quanto com a Polícia Civil. A polícia tem agido e agido com inteligência para fazer o melhor — disse.

O prefeito também fez críticas à decisão judicial que resultou nas solturas. Na avaliação dele, situações como essa acabam comprometendo o trabalho desenvolvido anteriormente pelas forças policiais.

— É um enxuga gelo eterno. A polícia vai lá, faz o seu trabalho, e o Judiciário, muitas vezes, com brechas jurídicas, desfaz um trabalho tão importante. Além da insegurança na rua, tu tem a insegurança jurídica — criticou Norton.

As declarações representam a avaliação do prefeito sobre a decisão judicial. A situação da segurança na Quarta Colônia segue sendo acompanhada pelas forças policiais da região.


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