Foto: Vinicius Becker (Diário)
Previsão indica que instabilidade deve seguir até terça-feira e acumulado de chuva pode ultrapassar 100 milímetros
Os estragos da sequência de dias de ventos fortes e da chuva intensa ainda mobilizam Santa Maria nesta segunda-feira (20). Desde sexta (17), mais de 90 famílias de 19 bairros precisaram de atendimento da Defesa Civil, que distribuiu lonas para famílias e telhas para imóveis atingidos por destelhamentos.
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Enquanto a prefeitura, por meio da Secretaria de Resiliência Climática e Relações Comunitárias, monitora áreas de risco e realiza vistorias em residências próximas a córregos e arroios, a previsão é de mais chuva até terça (21).
Mais de 90 famílias atendidas

Em cinco dias, a Defesa Civil já prestou auxílio para mais de 90 famílias de 19 bairros que tiveram registros de estragos. De sexta até a manhã desta segunda, foram entregues 140 metros de lona para 14 famílias. Também foram realizadas vistorias em imóveis com destelhamento e distribuídas telhas para 91 residências.

Os atendimentos ocorreram nos seguintes bairros:
- Divina Providência – 24
- Noal – 13
- Passo D'Areia – 7
- Nova Santa Marta – 5
- Salgado Filho – 5
- Patronato – 4
- Nossa Senhora do Perpétuo Socorro – 4
- Tomazetti – 4
- Nossa Senhora do Rosário – 3
- Km 3 – 3
- Diácono João Luiz Pozzobon – 2
- Nossa Senhora Medianeira – 2
- Nossa Senhora de Fátima – 1
- Lorenzi – 1
- Menino Jesus – 1
- Palma – 1
- Presidente João Goulart – 1
- Renascença – 1
- Urlândia – 1
Famílias multiespécie
Ainda segundo a Defesa Civil, 117 animais permanecem nos imóveis que receberam telhas, sendo:
- 83 cães
- 24 gatos
- 10 aves
Escolas e serviços públicos tiveram alterações

As atividades letivas foram suspensas nesta segunda-feira na Escola Municipal de Ensino Fundamental (EMEF) Tenente João Pedro Menna Barreto, no Bairro Caturrita, após parte da edificação ser interditada.As aulas retornam nesta nesta terça-feira (21).
Na Escola Municipal de Educação Infantil (EMEI) Vila Vitória, houve destelhamento do refeitório. Apesar dos danos, as aulas foram mantidas normalmente.
Já a Biblioteca Pública Municipal Henrique Bastide, no Bairro Fátima, permanece fechada ao público devido ao comprometimento da parte elétrica provocado pela chuva.
Na área da saúde, houve registro de infiltração na emergência do Pronto Atendimento do Patronato durante a madrugada. O espaço precisou ser isolado, mas os atendimentos seguiram normalmente.
Força-tarefa segue

Além do atendimento às ocorrências, o município mantém uma força-tarefa voltada à prevenção de novos problemas enquanto a instabilidade permanece. Segundo o prefeito Rodrigo Decimo, em entrevista ao Bom Dia, Cidade, da Rádio CDN (93.5FM) desta segunda, a estratégia da administração tem sido antecipar ações antes da chegada dos eventos climáticos.
— A prevenção, se ela dá certo, ela é invisível, ela não aparece, mas se ela dá errado, você não consegue esconder. Então, precisamos estar sempre trabalhando com a questão da previsão, da antecedência dos fatos. Preferimos pecar pelo excesso, mas nunca pela omissão – afirmou.
Junto do prefeito, o secretário de Resiliência Climática Edson Neves também falou sobre o assunto. Segundo ele, as equipes também intensificaram o monitoramento de áreas suscetíveis a deslizamentos, como o Morro do Verde e Arroio Grande. A orientação é que moradores fiquem atentos a sinais como surgimento de rachaduras, inclinação de árvores e água barrenta escorrendo pelas encostas.
Outro trabalho reforçado nos últimos dias foi a limpeza da rede de drenagem urbana. Conforme a prefeitura, equipes encontraram materiais como pneus e até assentos de sofá obstruindo galerias pluviais, situação que dificulta o escoamento da água durante períodos de chuva intensa.
A operação conta ainda com cerca de 50 servidores capacitados para atuação em eventos climáticos, aproximadamente 300 voluntários cadastrados e um gabinete de crise instalado junto ao Centro Integrado de Operações de Segurança Pública (Ciosp).
Ainda conforme o prefeito, participaram da mobilização representantes do Corpo de Bombeiros, Brigada Militar, polícias Rodoviária Federal e Estadual, Exército, Base Aérea e demais instituições envolvidas na resposta a emergências.
Decimo também destacou que, pela primeira vez, o município estruturou um plano de acolhimento para eventuais desabrigados. A Secretaria de Desenvolvimento Social manteve um espaço preparado para receber cerca de 60 pessoas em caso de necessidade. Além disso, caso o número de desalojados aumentasse em razão das chuvas, a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) também disponibilizaria uma estrutura para abrigar famílias.
— Isso mostra que Santa Maria já está preparada, com efetividade. Fizemos um gabinete de crise, unimos as forças de segurança e todos estavam preparados para agir. Graças a Deus, não foi necessário utilizar os espaços preparados para desabrigados, mas eles estavam prontos caso fosse preciso — afirmou o prefeito.
Por que o temporal previsto demorou a chegar?

Apesar dos alertas emitidos ainda na semana passada para temporais na região, o cenário acabou sendo diferente do esperado. Segundo o meteorologista da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Murilo Lopes, a persistência do vento norte durante três dias dificultou o avanço da frente fria.
— Nós tivemos aquele vento norte aqui em Santa Maria persistindo por três dias com intensidade muito forte. Essa condição provocou mudanças na atmosfera que dificultaram o avanço da frente fria. O sistema conseguiu avançar apenas na madrugada de domingo para o Rio Grande do Sul e chegou à região central somente na manhã de domingo — explicou.
Conforme Murilo, além do ar muito quente que predominava sobre o Estado, havia uma inversão térmica em cerca de três mil metros de altitude, condição que dificultou a formação das tempestades mais intensas.
Agora, segundo ele, a preocupação deixa de ser o vento e passa a ser o volume de chuva.
— Até o momento, Santa Maria registrou cerca de 40 milímetros de chuva desde domingo. Essa precipitação continua ao longo desta segunda e terça-feira, alternando períodos de chuva moderada e mais intensa. Somando todo esse período, os acumulados podem chegar ou até ultrapassar os 100 milímetros na região.
O meteorologista ressalta que ainda há possibilidade de temporais isolados e queda de granizo de pequeno porte, mas afirma que as rajadas de vento norte tendem a perder força.
— A tendência é que não tenhamos mais aquelas rajadas intensas de vento norte. A frente fria mudou as condições atmosféricas próximas da superfície, mas ainda existe transporte de umidade vindo da Amazônia, o que mantém a chuva sobre o Estado pelos próximos dias.
Telefones de emergência
Em caso de necessidade, a população pode acionar os seguintes órgãos:
- Defesa Civil: 153 e WhatsApp (55) 99110-7940;
- Corpo de Bombeiros: 193 e WhatsApp (55) 98454-5968;
- Brigada Militar: 190 e WhatsApp (55) 99939-0190;
- Samu: 192, (51) 3320-0100, (51) 3322-0192 e (55) 3307-9737;
- Superintendência de Trânsito: 153 e WhatsApp (55) 99931-1244;
- Guarda Municipal: 153 e WhatsApp (55) 99167-8452;
- Comando Rodoviário da Brigada Militar: 198, (55) 3225-1009 e WhatsApp (51) 98687-2667;
- Polícia Rodoviária Federal: 191 e WhatsApp (55) 99123-3488.
