Foto: Bombeiros Voluntários de Faxinal do Soturno (Divulgação)
Corpos de Elisandro Flores Nunes, 45 anos e do sobrinho, Rafael Flores, de 11 foram localizados após quatro horas de buscas no Rio Soturno.
As buscas pelo tio e sobrinho que se afogaram durante pescaria no Rio Soturno, em Faxinal do Soturno, mobilizaram equipes de diferentes municípios e enfrentaram condições adversas ao longo de sábado (18).O trabalho, que durou cerca de quatro horas, resultou na localização dos corpos de Elisandro Flores Nunes, 45 anos, e do sobrinho, William Rafael dos Santos Xavier Flores, 11, durante a tarde.
José Aldoni da Silva, 53 anos, presidente da Associação Corpo de Bombeiros Voluntários de Faxinal do Soturno, relata como foi o atendimento desde o primeiro chamado. Segundo ele, as equipes foram acionadas às 10h55min e já se deslocaram até o local, cerca de 100 metros antes da ponte nova do Soturno que passa por reforma. Quando chegaram no ponto informado, equipes do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e a Brigada Militar já estavam colhendo informações.
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Conforme o bombeiro, as buscas começaram com base nas informações coletadas no local e com o uso de técnicas específicas.
- A gente utiliza uma corda com ganchos, tipo uma garateia, que é um tipo de gancho de múltiplas hastes, e vai lançando para tentar resgatar o corpo. Mas a possibilidade é pequena, ainda mais quando as vítimas não têm roupas que facilitem - explica.

As condições do rio também dificultaram o trabalho das equipes de busca.
- É um local bem complicado, com água muito fria, correnteza muito forte e profundidade que passa de três metros, chegando a quatro. Além disso, havia muitas pedras e materiais no fundo. Em alguns momentos, os próprios bombeiros entraram na água em trechos mais rasos para auxiliar nas buscas - relata.
Bombeiros voluntários de Nova Palma e Ivorá também atuaram na ocorrência, até a chegada dos mergulhadores do 4º Batalhão do Corpo de Bombeiros Militar de Santa Maria.
- Quando a equipe de mergulhadores chegou, recolhemos os barcos para dar livre acesso ao pessoal poder trabalhar. A água não pode ficar agitada, então deixamos a equipe de mergulho atuar naquele ponto - diz.
Os corpos foram localizados na mesma área onde as buscas estavam concentradas, com um intervalo de cerca de 35 minutos.
- O primeiro corpo foi retirado da água às 16h13min, confirmamos que se tratava da vítima adulta. O menino de 11 anos foi localizado às 16h53min. Era uma área de difícil acesso e muito funda. As duas vítimas ainda estavam submersas quando foram localizadas. Como naquele ponto a água estava muito fria, os corpos demorariam para subir, então eles ainda estavam embaixo da água - conta.
Sobre o momento do afogamento, o bombeiro destacou a força da correnteza.
- Pelas informações, o menino começou a se debater na água e se afogar. O tio teria atravessado o rio e chegou até ele, conseguiu alcançar, mas a correnteza era muito forte. Os dois acabaram submergindo e não retornaram - diz.
Relembre o caso
Tio e sobrinho desapareceram por volta do meio-dia de sábado (18), nas proximidades da ponte do Rio Soturno, em Faxinal do Soturno. Eles estavam pescando na beira do rio. O menino teria entrado na água para tomar banho e começou a se afogar. Ao perceber a situação, o tio entrou no rio para tentar salvar a criança, mas ambos foram arrastados pela correnteza e desapareceram.
As buscas começaram ainda no início da tarde, com a atuação de equipes dos Bombeiros Voluntários de Faxinal do Soturno, Nova Palma e Ivorá, além de mergulhadores do 4º Batalhão de Bombeiros Militar de Santa Maria, Brigada Militar e Samu.
Nunes era natural de Santa Maria e atualmente morava em Faxinal do Soturno. Já o sobrinho residia em Agudo e estava na cidade visitando familiares.
Despedida
Familiares e amigos começaram a se despedir no domingo (19) de tio e sobrinho. As cerimônias de velório ocorreram nas capelas municipais de Santa Maria, cidade de origem das vítimas. Ambos foram sepultados no começo da manhã desta segunda-feira (20) no Cemitério Ecumênico Municipal de Santa Maria.

Afogamentos no Rio Jacuí
Casos recentes no Rio Jacuí também acendem alerta para os riscos na região da Quarta Colônia, onde há trechos com grande profundidade e correnteza.
Em 16 de dezembro de 2025, a servidora da Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam), Roberta dos Reis Constantin, de 21 anos, desapareceu após cair no rio durante a coleta de amostras de água. Natural de Caxias do Sul, ela atuava em Porto Alegre e integrava uma equipe de trabalho no momento do acidente, quando foi levada pela correnteza. O corpo foi localizado quatro dias depois por pescadores da região que auxiliavam os bombeiros nas buscas.

Também em 16 de dezembro, no período da noite, dois pescadores desapareceram após o barco em que estavam virar no Rio Jacuí, na localidade de Cerro Chato, entre Restinga Sêca e Agudo. As vítimas foram identificadas como Reni Grellmann, 65 anos, e Wilmar Carvalho, 65. Conforme relatos, a embarcação teria naufragado enquanto eles navegavam pela região. Carvalho foi localizado na manhã seguinte. Dois dias depois, foi encontra o corpo de Grellmann.

Prevenção é essencial
Diante dessas ocorrências de afogamento, José da Silva, que atua há 12 anos na equipe dos Bombeiros Voluntários de Faxinal do Soturno, reforça a importância de medidas de prevenção. Segundo ele, é fundamental ter ao menos conhecimento básico de natação e utilizar colete salva-vidas em atividades próximas à água. O bombeiro também alerta para o cuidado redobrado com crianças e os riscos de rios com correnteza forte.
- O colete salva vidas é um item com preço acessível e indispensável para a segurança. É fundamental que qualquer atividade realizada perto de trechos com água, ele seja utilizado. Com água não se brinca, ainda mais em locais com correnteza e profundidade de água - conclui.