Foto: Reprodução
Foto ilustrativa
O menino de 4 anos que foi esquecido por mais de quatro horas dentro de uma van escolar em São Martinho da Serra, na última sexta-feira (17), está traumatizado e se recusa a voltar à escola ou utilizar o transporte escolar, segundo relato da mãe. O caso é investigado, inicialmente, como abandono de incapaz pela Polícia Civil.
+ Receba as principais notícias de Santa Maria e região no seu WhatsApp
Em entrevista ao programa Bom Dia, Cidade, da Rádio CDN, na quinta-feira (23), a mãe contou as consequências do episódio para a família, enquanto o prefeito do município, Robson Flores da Trindade, detalhou as providências adotadas pela administração municipal após o ocorrido envolvendo a empresa terceirizada responsável pelo transporte escolar.
"Ele está traumatizado"
Sem identificar a mãe ou a criança, a reportagem ouviu o relato sobre o estado emocional do menino após o episódio. Segundo ela, o filho foi deixado em casa pelo mesmo transporte escolar por volta do meio-dia, após permanecer trancado na van desde as 8h, sem receber qualquer explicação dos responsáveis pelo serviço.
A mãe conta que soube do que havia acontecido a partir do relato da própria criança. Em seguida, foi até a escola para confirmar a situação. No local, foi informada de que o menino, de fato, não havia chegado e que a direção e os professores já procuravam a família para entender o motivo da ausência.
– Ele está retraído, não quer mais ir para a escola, não quer mais pegar van. Ele era uma criança tranquila e agora vamos ter que fazer tratamento psicológico. Vou buscar justiça pelo meu filho – afirmou.
A mãe também relatou que o menino contou ter pedido ajuda enquanto permaneceu sozinho na van.
– Ele pediu socorro, bateu nos vidros, gritou, chorou, dormiu, acordou e pediu socorro de todas as formas. Chegou em casa com febre e urinado. Foi uma cena que nunca vou esquecer – disse.
Ainda durante a entrevista, ela afirmou que pretende buscar responsabilização pelo ocorrido e criticou a falta de explicações após o episódio. Também relatou que o transporte escolar circularia em alguns dias sem monitor e que haveria troca de veículos durante o trajeto, prática que, segundo ela, ocorreria sem comunicação prévia às famílias.
Prefeitura abriu processo administrativo
Também em entrevista ao programa do Diário, o prefeito de São Martinho da Serra, Robson Trindade, afirmou que a prefeitura instaurou um processo administrativo para apurar o caso envolvendo a Transportes Trindade, empresa terceirizada contratada pelo município responsável pelo transporte escolar.
Ele informou que o município encaminhou o menino para acompanhamento psicológico e que a empresa deverá responder administrativamente conforme as regras previstas no contrato firmado com a prefeitura.
– A intenção de antemão é atender a família, mas principalmente a criança, que está em formação – afirmou.
Ainda conforme o prefeito, caso sejam constatadas irregularidades, o processo administrativo poderá resultar nas sanções previstas na legislação e no contrato firmado com a empresa.
Empresa afastou motorista e monitora
Na quarta-feira (22), o Escritório Aurélio Advogados Associados, que representa a Transportes Trindade, informou que o motorista e a monitora envolvidos na ocorrência foram afastados das funções até a conclusão das investigações.
Em nota, a empresa afirmou que lamenta o ocorrido, manifestou solidariedade à criança e à família e informou que colabora com as investigações conduzidas pelas autoridades.
Confira a nota completa:
"O Escritório Aurélio Advogados Associados, na qualidade de representante da empresa Transportes Trindade, vem a público manifestar-se acerca do episódio ocorrido na última sexta-feira, envolvendo o transporte escolar prestado no Município de São Martinho da Serra.
A empresa lamenta o episódio e manifesta sua solidariedade à criança e aos seus familiares, reiterando que, desde que tomou conhecimento dos fatos, tem atuado com responsabilidade, transparência e plena colaboração.
Desde o primeiro momento em que tomou conhecimento da situação, a Transportes Trindade adotou as medidas que estavam ao seu alcance para prestar o devido suporte, colaborando com os familiares e colocando-se integralmente à disposição das autoridades competentes para o esclarecimento dos fatos.
Como medida administrativa imediata, os colaboradores diretamente envolvidos na prestação do serviço — o motorista e a monitora — foram afastados de suas funções até a completa apuração do ocorrido.
A empresa informa, ainda, que permanece colaborando de forma transparente com os órgãos responsáveis pela investigação, confiando no trabalho das autoridades competentes para a elucidação das circunstâncias que culminaram nesse infortúnio.
Por fim, a Transportes Trindade reafirma seu compromisso com a segurança dos alunos transportados, com a observância das normas aplicáveis e com a adoção de todas as medidas necessárias para o aprimoramento de seus procedimentos, renovando sua solidariedade à família da criança e permanecendo à disposição para prestar os esclarecimentos que se fizerem necessários."
Aurélio Advogados Associados
Investigação apura abandono de incapaz
A delegada Jaqueline Pellegrini, titular da Delegacia de Polícia de Agudo e responsável pela investigação, informou ao Diário que o caso está sendo investigado como abandono de incapaz, embora a tipificação penal definitiva ainda dependa da conclusão das diligências.
A delegada também contou que o motorista da van e a diretora da escola já prestaram depoimento. A monitora do transporte escolar, que acompanha o motorista nos deslocamentos, deverá ser ouvida nos próximos dias.