“Estamos próximos de um colapso”, alertam policiais civis sobre déficit de efetivo no RS

“Estamos próximos de um colapso”, alertam policiais civis sobre déficit de efetivo no RS

Foto: Mateus Ferreira

A redução do efetivo da Polícia Civil do Rio Grande do Sul, a sobrecarga enfrentada pelos servidores e a preocupação com a reposição insuficiente de policiais voltaram a acender o alerta dentro da segurança pública gaúcha. O tema foi debatido durante entrevista ao programa Bom Dia, Cidade, da CDN, na manhã desta quarta-feira (13), com o vice-presidente do Ugeirm Sindicato, Fábio Castro, e com o representante da comissão de aprovados do concurso da Polícia Civil, Igor Carvalho.

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Segundo levantamento apresentado pela comissão, desde 2019 a Polícia Civil perdeu mais de 1,3 mil servidores. Atualmente, o déficit estimado no Estado seria de aproximadamente 4 mil policiais civis.

Conforme os dados divulgados durante a entrevista, a instituição opera hoje com cerca de 5,3 mil servidores ativos, número que representa pouco mais da metade do efetivo previsto em lei, estimado em quase 9,5 mil policiais.

Para o vice-presidente da Ugeirm, Fábio Castro, a situação já afeta diretamente o funcionamento das delegacias e o atendimento prestado à população.

- Nunca tivemos um efetivo tão baixo. Isso impacta em tudo: investigação, atendimento ao público, funcionamento das delegacias e saúde dos policiais. O acúmulo de trabalho é enorme e o desgaste também — afirma Fábio Castro.

De acordo com o sindicalista, a falta de efetivo provoca demora em atendimentos, sobrecarga de equipes e dificuldades operacionais em praticamente todas as áreas da Polícia Civil.

Entre os setores mais afetados, segundo ele, estão as Delegacias de Polícia de Pronto Atendimento (DPPAs) e as Delegacias Especializadas no Atendimento à Mulher (Deams), justamente em um período marcado pelo aumento dos casos de feminicídio no Estado.

Castro citou como exemplo a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher de Santa Maria, que, conforme ele, teria atualmente cerca de oito servidores.

— Para conseguir atender adequadamente a demanda e evitar sobrecarga, precisaríamos no mínimo do dobro de efetivo — afirma.

Durante a entrevista, os representantes também chamaram atenção para dados relacionados ao atendimento em municípios do interior. Conforme a comissão de aprovados, dos 497 municípios gaúchos, cerca de 80 contariam atualmente com apenas um policial civil atuando, enquanto algumas cidades sequer possuem efetivo próprio, dependendo do deslocamento de equipes de municípios vizinhos.

Outro ponto levantado envolve o impacto da falta de servidores no atendimento às vítimas de violência doméstica. Segundo Igor Carvalho, representante da comissão dos aprovados no concurso da Polícia Civil, reportagens recentes mostraram mulheres aguardando mais de oito horas para registrar ocorrência em delegacias, situação que pode atrasar medidas protetivas e comprometer o acolhimento às vítimas.

— O déficit de efetivo afeta diretamente a população. Em muitos casos, as pessoas desistem do atendimento pela demora excessiva — destacou.

Concurso preocupa aprovados e sindicato
Além do déficit atual, outro tema que gera preocupação é o andamento do concurso público da Polícia Civil do Rio Grande do Sul, que prevê 720 vagas para os cargos de escrivão e inspetor.

A comissão de aprovados critica a chamada “cláusula de barreira” prevista no edital, mecanismo que limita o número de candidatos aptos a avançar para as próximas fases do concurso.

Pela regra atual, apenas três vezes o número de vagas seguirá para o Teste de Aptidão Física (TAF). Segundo Igor Carvalho, o problema é que o índice histórico de reprovação nesta etapa costuma variar entre 25% e 40%.

— Existe um risco real de o Estado não conseguir formar policiais suficientes ao final do concurso — alertou.

Segundo ele, o cenário se torna ainda mais preocupante porque o atual concurso teve queda significativa no número de inscritos em comparação ao certame de 2018. Na época, mais de 40 mil candidatos participaram da seleção. Neste ano, o número caiu para cerca de 25 mil inscritos.

Reveja a entrevista

Ainda conforme os dados apresentados, somente 5,7 mil candidatos conseguiram aprovação na prova intelectual, considerada uma das etapas mais difíceis do concurso.

A comissão defende que mais candidatos sejam convocados para o TAF e demais fases, argumentando que a ampliação reduziria o risco de falta de aprovados e evitaria a necessidade de abertura de um novo concurso em curto prazo.

— O concurso já teve investimento de cerca de R$ 4 milhões. Ampliar as chamadas custaria muito menos do que organizar um novo processo seletivo — argumentou Carvalho.

Os representantes também apontam preocupação com o número de exonerações dentro da Polícia Civil. Segundo a Ugeirm, cerca de 300 policiais deixaram a corporação entre 2019 e 2026, muitos deles em início de carreira.

Para o sindicato, fatores como baixos salários, condições de trabalho e desgaste profissional têm tornado a carreira menos atrativa.

Mobilizações não estão descartadas
Diante do cenário, a Ugeirm afirma que seguirá cobrando medidas do governo do Estado e não descarta novas mobilizações da categoria. Segundo Castro, o sindicato reivindica reposição salarial, melhorias estruturais nas delegacias e medidas efetivas para recomposição do efetivo. O dirigente sindical também criticou a falta de avanços nas negociações com o governo estadual.

— A segurança pública é uma das maiores preocupações da população. Sem investimento em efetivo e valorização dos profissionais, o sistema entra em risco — afirmou.

Apesar das restrições legais que impedem greve de policiais civis, o sindicato informou que outras formas de mobilização podem ocorrer nos próximos meses para pressionar o governo por mudanças na área da segurança pública gaúcha.

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