Foto: Rudson Amorim (Fiocruz)
Dois casos de hantavirose já foram confirmados no Rio Grande do Sul em 2026 até segunda-feira (11), conforme dados da Secretaria Estadual da Saúde (SES). As ocorrências foram registradas em áreas rurais dos municípios de Antônio Prado, na Serra, e Paulo Bento, no Norte do Estado. Um dos pacientes morreu em decorrência da doença.
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Segundo a SES, os casos registrados no Estado não têm relação com o surto de hantavírus identificado no cruzeiro MV Hondius, que saiu da Argentina com destino a Cabo Verde e já teve sete casos confirmados da cepa andina da doença, além de três mortes.
O caso de Antônio Prado foi confirmado por exame laboratorial. Já em Paulo Bento, o diagnóstico foi clínico-epidemiológico, baseado nos sintomas apresentados e no histórico de exposição do paciente ao vírus. A vítima não resistiu às complicações da doença.
A hantavirose é considerada endêmica no Brasil pelo Ministério da Saúde, o que significa que o vírus circula de forma contínua em determinadas regiões, principalmente em áreas rurais. No Rio Grande do Sul, os registros variam de ano para ano. Em 2025, foram oito casos confirmados. Em 2024, sete. Já em 2023, foram seis ocorrências. O Estado também contabilizou nove casos em 2022, três em 2021 e um em 2020.
Contato com roedores é principal forma de transmissão
A doença é causada por diferentes tipos de hantavírus e transmitida principalmente pelo contato com urina, fezes, saliva ou mordidas de roedores silvestres infectados. Conforme a SES, as variantes do vírus encontradas no Brasil não têm relação com ratos urbanos, como ratazanas, camundongos e ratos de telhado.
As situações de maior risco envolvem atividades em áreas rurais que favorecem o contato com ambientes contaminados. Entre elas estão trabalhos agrícolas, limpeza de galpões, colheitas, trilhas, pescarias e tarefas domésticas em locais fechados ou pouco ventilados.
Sintomas podem evoluir rapidamente
Os primeiros sintomas da hantavirose incluem febre, dores musculares, dor de cabeça, dor lombar e náuseas. Com a evolução do quadro, podem surgir falta de ar, tosse seca, aceleração dos batimentos cardíacos, queda da pressão arterial e choque circulatório.
No Brasil, a forma mais comum da doença é a síndrome cardiopulmonar por hantavírus, considerada grave e com potencial de rápida evolução. Por isso, a orientação das autoridades de saúde é procurar atendimento médico imediatamente diante de sintomas associados a histórico de exposição em áreas de risco.
Surto em cruzeiro internacional
O surto registrado no navio MV Hondius chamou atenção das autoridades internacionais nas últimas semanas. Conforme a Organização Mundial da Saúde (OMS), sete pessoas tiveram confirmação para a cepa andina do hantavírus e outras duas seguem sob investigação. Entre as vítimas fatais estão um casal holandês e um cidadão alemão.