Déficit de efetivo deixa Faxinal do Soturno com até dois policiais nas ruas por turno, diz prefeito

Déficit de efetivo deixa Faxinal do Soturno com até dois policiais nas ruas por turno, diz prefeito

Foto: Polícia Civil (Divulgação)

Operação Quarta Colônia Livre foi deflagrada em 2025, em seis municípios da região de imigração italiana, além de Santa Maria, Porto Alegre e Charqueadas.

A Brigada Militar de Faxinal do Soturno trabalha com um déficit estimado entre 40% e 50% do efetivo, segundo o prefeito Lourenço Moro. Na prática, conforme ele, normalmente são apenas dois policiais nas ruas por turno, enquanto outro permanece na sede para atender aos chamados. Em alguns momentos, pode haver apenas um policial no patrulhamento. O cenário preocupa o município diante do aumento da insegurança, principalmente nas vilas Verde Teto e Medianeira, que, segundo o prefeito, teria se agravado após a soltura da maioria dos presos da Operação Quarta Colônia Livre, no fim de julho.

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Lourenço afirma que a falta de efetivo dificulta a presença da Brigada Militar nas áreas mais afetadas. Os policiais também precisam prestar apoio a outros municípios da região, como Ivorá e São João do Polêsine, o que reduz ainda mais a quantidade de agentes disponíveis em Faxinal do Soturno.

Segundo o prefeito, o município já procurou o comando superior da Brigada Militar, em Porto Alegre, além do delegado regional Sandro Meinerz e do comando da Brigada Militar na região. A principal reivindicação é o reforço do policiamento.

– Nós precisamos muito, nós temos em torno de oito pessoas efetivas, mas, na espécie de plantões, sempre tem as folgas, tem os efetivos que também tiram férias. E isso diminui muito, diariamente, as pessoas que estão efetivamente a serviço.

Questionado sobre quantos policiais efetivamente fazem o patrulhamento, o prefeito afirmou que, normalmente, são dois por turno. Um terceiro profissional permanece na sede da Brigada Militar para atender às demandas e aos chamados. Em determinadas situações, porém, apenas um policial estaria disponível para as ruas.

Lourenço afirma que o município pretende investir em equipamentos de segurança para tentar ampliar o monitoramento enquanto busca o reforço do policiamento. A prefeitura está adquirindo câmeras, equipamentos de cercamento eletrônico e sistemas de leitura de placas, com previsão de utilização em convênio com a Polícia Rodoviária Federal.

Soltura de presos teria agravado insegurança

O prefeito afirma que a percepção de insegurança vem aumentando desde 2025, com a intensificação da disputa entre facções pelo controle do tráfico de drogas. Segundo ele, a situação teria se agravado após a decisão judicial que determinou a soltura da maioria dos presos da Operação Quarta Colônia Livre.

De acordo com Lourenço, mais de 60 pessoas foram presas durante a operação, e a maioria seria de Faxinal do Soturno. Após a decisão judicial, parte desses investigados teria retornado para o município e para as vilas.

– Houve aquela apreensão de muitas pessoas, foram presos e agora, com a soltura, que voltaram a residir na nossa região, principalmente em Faxinal do Soturno, aumentou muito essa insegurança.

Operação Quarta Colônia Livre investigou a atuação de organizações criminosas e o tráfico de drogas na região. No fim de julho, a Justiça anulou as provas obtidas na investigação e determinou a libertação da maioria dos presos, em decisão que ainda pode ser questionada pelo Ministério Público.

Incêndios aumentam preocupação

Lourenço também cita uma sequência de incêndios como parte do cenário que preocupa os moradores. Segundo ele, uma residência foi incendiada na noite de segunda-feira na Vila Verde Teto. O prefeito afirma que esse seria o terceiro ou quarto imóvel atingido por incêndios semelhantes e também menciona veículos incendiados.

Conforme o relato de Lourenço, os episódios estariam relacionados à disputa entre grupos criminosos. Ele afirma que ameaças atribuídas a integrantes das facções teriam aumentado o medo entre os moradores.

O prefeito relata que algumas famílias teriam deixado Faxinal do Soturno para morar em outros municípios após se sentirem ameaçadas. Outras teriam passado a permanecer dentro de casa no período da noite.

Medo muda rotina das famílias

A violência também estaria alterando hábitos da população. Segundo Lourenço, pais passaram a impedir que os filhos participem de atividades esportivas e outros eventos durante a noite.

Antes, de acordo com o prefeito, era comum que os jovens participassem de campeonatos de futebol e acompanhassem competições municipais. Agora, por medo, algumas famílias não permitiriam mais que os filhos saiam de casa.

A situação seria mais intensa na Vila Verde Teto, onde o prefeito afirma que moradores passaram a se trancar em casa no fim da tarde.

– Os hábitos das famílias já não deixam mais os filhos saírem de casa à noite. Muitos jovens tinham programas, participar de campeonato de futebol, principalmente assistir campeonatos municipais, de esportes. Hoje, os pais já não deixam mais sair.

Prefeitura espera reforço até o fim do ano
Segundo o prefeito, o comando superior da Brigada Militar teria sinalizado que vai reavaliar a quantidade de policiais destinados ao município até o fim do ano. A expectativa está relacionada à formação de novos policiais e à possibilidade de redistribuição do efetivo.

Ainda não há, conforme a entrevista, uma definição sobre quantos policiais poderão ser destinados especificamente a Faxinal do Soturno.

Enquanto isso, a prefeitura pretende avançar na instalação das câmeras e do cercamento eletrônico. A expectativa é que o monitoramento ajude a identificar movimentações e veículos e dê suporte ao trabalho das forças de segurança.

Confira a entrevista completa


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