Foto: Deni Zolin (Diário)
As obras de duplicação da RSC-287 criaram uma situação que tem intrigado motoristas e geraram a necessidade de adequações nos projetos que serão bancadas, em parte, pelo Estado e, em parte, por médias e grandes empresas às margens da estrada. É que 12 km da rodovia foram duplicados, em 2025, em Santa Cruz do Sul e Tabaí, mas seguem com cones sobre uma das pistas novas. O motivo: o contrato do Estado com a Rota de Santa Maria não previu as vias de acessos a casas e empresas. Com isso, para garantir mais segurança para veículos que entram e saem da RSC-287 nesses trechos duplicados e evitar que eles sejam atingidos por veículos que vêm em alta velocidade na rodovia, os cones foram instalados e só serão retirados quando forem construídas vias de acesso.
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Neste mês, Estado e concessionária chegaram a acordo. O governo vai incorporar à concessão o custeio dos acessos à RSC-287 para moradores e agricultores que se enquadrem como agricultura familiar e MEIs. Segundo a Rota, isso incluirá empresas comerciais e industriais de pequeno porte, cujos acessos também serão bancados pelo Estado. Já médias e grandes empresas deverão procurar a Rota no futuro para regularizar seus acessos, bancando o custo.
Na prática, como há centenas de casas, propriedades e comércios perto da estrada, muitos que foram construídos no passado, sem acessos adequados, agora coube à Rota fazer essas obras para adequar a rodovia aos padrões da lei devido à duplicação. Segundo o Estado, a Rota fará os projetos dos acessos e precisará enviar para aprovação técnica e de orçamento pela Secretaria da Reconstrução Gaúcha. O foco inicial agora será fazer esses projetos para os trechos já duplicados em Santa Cruz e Tabaí. Depois, nos trechos que passam por obras de duplicação entre Candelária, Vera Cruz, Santa Cruz e Venâncio Aires. E no futuro, nas duplicações previstas para Santa Maria e região, cuja data está sendo negociada e deve ser antecipada, possivelmente para o início da próxima década, de 2030 – no contrato original, seria só entre 2040 e 2042.
Esses acessos adequados, que estão sendo previstos agora, podem ser ruas laterais à rodovia, que passam na frente de várias casas ou empresas, concentrando a entrada e saída de veículos em um único ponto, com alças para aceleração e desaceleração.
Segundo o diretor-geral da Rota, Leandro Conterato, ainda não há prazo exato para fazer as obras, quantos acessos serão feitos nem o custo total.
– Onde houver obras de duplicação nesse primeiro ciclo (até 2030, de Novo Cabrais a Tabaí), a ideia é fazer esses acessos de forma concomitante ou logo depois. Como as obras de Santa Cruz e Tabaí começaram antes dessa decisão do Estado e de um acordo firmado para a inclusão dos acessos no contrato, e isso leva tempo, as obras de alguns trechos estão avançando e, depois, temos de fazer esse complemento da obra da regularização dos acessos – explicou.
Conterato diz que, por enquanto, a concessionária está fazendo o mapeamento e os projetos dos primeiros acessos:
– Estamos correndo para priorizar esses trechos já duplicados e, depois, replicar a todo o resto da rodovia. Mas agora é difícil pensar em prazo para tudo. Há o aprofundamento da discussão para ver até que nível a gente enquadra como pequeno porte nesse plano. No final, é decisão do governo do Estado.
Como ficará na duplicação em Santa Maria?
Como a duplicação de 1,5 km do trecho urbano de Santa Maria, do Trevo do Aeroporto ao pórtico do avião, deve ser feita em 2027, fica a dúvida: e aqui, as empresas maiores às margens da RSC-287 terão de pagar pela construção desses acessos?
– Boa parte da duplicação do trecho urbano de Santa Maria já comporta vias marginais (laterais). A gente já faz essa regularização de todos os acessos, sejam eles comerciais ou particulares que estão nesse momento. Então, já se resolve esse problema na origem. E quanto ao prazo dessa obra de duplicação do trecho urbano de Santa Maria, estamos detalhando agora os projetos de engenharia e a expectativa é que se aprove ao longo deste segundo semestre junto ao governo do Estado e que, no próximo ano, essa obra inicie. Deve ser mais ou menos um ano de obra, devido ao porte dessa duplicação – diz Leandro Conterato.
O que diz o Governo do Estado
“Em diálogo com lideranças da região, o Governo do Estado definiu incorporar à concessão o custeio dos acessos à rodovia RSC-287 de moradores (perfil residencial), agricultores que se enquadrem como agricultura familiar e Microempreendedores Individuais (MEIs).
A concessionária Rota de Santa Maria, que administra a rodovia, fará os projetos dos acessos e encaminhará à Secretaria da Reconstrução Gaúcha, para análise técnica, inclusive orçamentária. Os demais perfis, médios e grandes empreendimentos, deverão regularizar seus acessos diretamente com a concessionária, como ocorre em qualquer outra rodovia (concedida ou não).”