Investigação que passou por Santa Maria alcança núcleo familiar de banqueiro em nova fase da PF

O que começou como uma investigação sobre fraudes financeiras e concessão de créditos falsos transformou-se em um dos maiores escândalos do sistema bancário brasileiro recente, com tentáculos que alcançaram Santa Maria. Na manhã desta quinta-feira (14), a Polícia Federal (PF) deflagrou a 6ª fase da Operação Compliance Zero, resultando na prisão preventiva de Henrique Moura Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro, o dono do agora liquidado Banco Master.

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O elo com Santa Maria

Embora o centro das decisões do Banco Master estivesse no eixo Rio-São Paulo-Brasília, Santa Maria entrou no mapa da Polícia Federal logo no início das investigações. Em janeiro de 2026, durante a segunda fase da operação, agentes da PF cumpriram um mandado de busca e apreensão em endereço residencial, no Bairro Passo D’Areia, que seria ligado a familiares de Vorcaro na cidade.

Na época, o objetivo era colher provas sobre a ocultação de patrimônio e a lavagem de dinheiro. A ação em Santa Maria surpreendeu a comunidade local, evidenciando que a organização utilizava uma rede capilarizada para movimentar ativos e camuflar bens que, somados, ultrapassam a cifra de R$ 5,7 bilhões em bloqueios judiciais.

Entenda o escândalo: do rombo à intervenção

O caso Master explodiu em novembro de 2025, quando Daniel Vorcaro foi preso pela primeira vez ao tentar embarcar em seu jatinho particular no Aeroporto de Guarulhos (SP). A investigação revelou um esquema sofisticado:

  • Fraudes Bilionárias: banco é suspeito de forjar títulos e conceder créditos fictícios que podem chegar a R$ 17 bilhões.
  • FGC: Com a liquidação da instituição pelo Banco Central, o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) teve de ser acionado no que já é considerado o maior desembolso de sua história — mais de R$ 40 bilhões para ressarcir investidores.
  • A "Polícia Paralela": A PF descobriu que o grupo mantinha uma estrutura de "inteligência" composta por hackers e policiais (ativos e aposentados) para monitorar autoridades, invadir sistemas e intimidar desafetos e jornalistas.


A prisão de Henrique Vorcaro

A fase deflagrada nesta quinta foca no núcleo familiar e operacional que dava suporte a Daniel Vorcaro. Henrique Vorcaro, pai do banqueiro, foi preso em Minas Gerais. Segundo as investigações autorizadas pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), Henrique não era apenas um espectador.

A PF aponta que ele teria financiado diretamente o grupo de "serviços sujos" e utilizado contas em seu nome para ocultar cerca de R$ 2,2 bilhões pertencentes ao filho, tentando blindar o patrimônio das garras da Justiça após a primeira prisão de Daniel.

Em nota, a defesa de Henrique Vorcaro classificou a prisão como "grave e desnecessária", alegando que o empresário sempre esteve à disposição para esclarecimentos e que a medida baseia-se em fatos cujas provas de ilicitude ainda não foram consolidadas no processo.

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