Durante sessão do STF, ministro Flávio Dino afirma que Brasil vive “momento mais corrupto da história do Poder Judiciário”

Durante sessão do STF, ministro Flávio Dino afirma que Brasil vive “momento mais corrupto da história do Poder Judiciário”

Foto: Rosinei Coutinho (STF/Divulgação)

O ministro Flávio Dino afirmou, durante sessão extraordinária do Supremo Tribunal Federal (STF) nesta terça-feira (15), que o Brasil vive o “momento mais corrupto da história do Poder Judiciário”. A declaração ocorreu durante a análise, pelo plenário, sobre a abertura de investigação contra o ministro Alexandre de Moraes, citado em relatório da Polícia Federal (PF) por suposta ligação com Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master.

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Dino se manifestou contra a admissão da avocatória, instrumento pelo qual uma autoridade chama para si um processo que estava sob responsabilidade de outra. Ao defender que o mecanismo não fosse aceito, o ministro afirmou que sua avaliação considera o atual cenário do sistema de Justiça brasileiro.

Dirigindo-se ao presidente do STF, ministro Edson Fachin, a quem chamou duas vezes de homem probo, Dino afirmou que exerce a judicatura desde 1994 e relacionou o cenário do Judiciário ao aumento das discussões sobre corrupção no país.

– Quero dizer que este é o momento mais corrupto da história do Poder Judiciário no Brasil. E digo isso com a autoridade de quem exerce a judicatura desde 1994. Infelizmente, isso prova que há erros, porque se fala tanto de corrupção no Brasil, e a corrupção só aumenta – declarou Dino.

Na sequência, o ministro ampliou a crítica para a política e mencionou as emendas parlamentares. Dino também citou o ministro Dias Toffoli, que trabalhou no Congresso antes de chegar ao Supremo, ao comparar o funcionamento das emendas no passado e atualmente.

Dino ainda afirmou que a venda de decisões judiciais depende da existência de alguém disposto a pagar por elas. Ao fazer a afirmação, mencionou a distinção entre corrupção passiva e ativa prevista no Código Penal.

– Não existe venda de sentença sem um advogado comprando. Não existe corrupção passiva sem corrupção ativa – completou.

Discussão entre Dino e Fachin

A tensão entre os ministros começou antes da manifestação de Dino. Logo no início da sessão, ele se recusou a pedir autorização a Fachin, que preside os trabalhos, para fazer um aparte durante a fala de outro integrante do colegiado. Os dois ministros se desentenderam no plenário antes do início da análise do caso envolvendo Moraes e Vorcaro.

Nunes Marques e Toffoli não votam

Dois ministros anunciaram que não participarão da votação desta terça-feira. Kassio Nunes Marques se declarou impedido e deixou o plenário em seguida. Dias Toffoli também não votará. O ministro alegou suspeição por motivo de foro íntimo, hipótese em que o magistrado se afasta sem precisar apresentar as razões. Diferentemente de Nunes Marques, Toffoli permaneceu na sessão.

Entenda o caso

A sessão ocorre em meio aos desdobramentos das investigações sobre o Banco Master e a uma crise interna no STF. André Mendonça era o relator do caso quando o relatório da Polícia Federal foi produzido e, em 1º de setembro, retirou o sigilo do documento que reúne as mensagens entre Vorcaro e Moraes.

Após a divulgação do material, Moraes pediu a investigação de Mendonça pela condução de inquéritos relacionados ao Banco Master e à fraude no INSS.

Na semana passada, Fachin retirou o pedido de investigação contra Mendonça do inquérito das fake news. No sábado (12), assumiu a relatoria do processo que trata da relação entre Moraes e Vorcaro.

A análise dos questionamentos sobre a atuação de Mendonça foi marcada para 23 de setembro. Já nesta terça, o plenário analisa a situação de Moraes.

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