Foto: Arquivo Pessoal
Morador ficou com metade do corpo dentro do buraco
A rotina na Rua Luiz Carvalho da Silva, no Bairro Urlândia, divide espaço com o esgoto a céu aberto e com valetas aprofundadas pela água da chuva. A via de chão batido registrou, no início deste mês, a queda de um pedestre, que se machucou. Para tentar solucionar o problema, moradores se reuniram para cobrar a prefeitura de Santa Maria e a Companhia Riograndense de Saneamento (Corsan), que divergem sobre quem é responsável pela obra.
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Morador caiu em buraco
Um morador do bairro, que preferiu não ter o nome divulgado, machucou a perna após cair em uma das valetas formadas na rua, no dia 2 de abril.
– Fui parar para conversar com o meu vizinho e, quando cheguei perto do portão dele, caí dentro do buraco. Machuquei minha perna. Nossa rua está abandonada. Faz um ano e um mês que eu moro ali, e está assim – relata.
A vendedora autônoma Elaine Bordin, 60 anos, lida com o esgoto escorrendo em frente ao portão de casa. O cenário agrava a rotina do marido dela, que possui limitação de mobilidade em função de cirurgias no fêmur.
– Tenho tentativas desde janeiro pedindo uma resposta. Um joga para o outro (Corsan e prefeitura). Vêm aqui, olham o problema e vão embora. Tivemos muito mau cheiro no verão, mosquitos, e não dá para ficar na frente de casa. Os vizinhos já estão reclamando – detalha a autônoma.
O fluxo contínuo de água na rua atinge o acesso de alunos à Escola Municipal de Ensino Fundamental (Emef) Alfredo Wenderlich. A dona de casa Laís Brandão Fogiatto, 29 anos, descreve o problema ao levar a filha de 4 anos para a instituição de ensino.
– Na hora de ir para a escola, a gente tem que colocar botinha de borracha, porque tem horas que o fluxo é bem mais alto. Fica impossível transitar, a água se espalha, faz os buracos ficarem maiores e põe em risco a segurança das crianças – diz Laís.
A advogada Inês da Luz resume o impasse entre os órgãos prestadores de serviço após a abertura de diversos protocolos.
– Fica aquele jogo de empurra-empurra: um é para a Corsan, um é para a prefeitura. Vem um, vem outro, e acabam não resolvendo nada. Para nós, o importante é resolver – cobra a advogada.
Impasse
Procurada pelo Diário, a Corsan informou em nota que esteve no local e que a rede cloacal (de esgoto doméstico) "está em perfeitas condições". Diante disso, a companhia isentou-se da obra e repassou o caso ao município: "A Corsan informou à prefeitura, por ser a responsável pela rede pluvial, que faz a drenagem de água das chuvas".
A prefeitura de Santa Maria também enviou nota. O Executivo declarou que "aguarda laudo técnico que irá atestar do que se trata o problema e de quem é a responsabilidade". O Executivo reforçou que, se o laudo apontar problema na rede de esgoto, cobrará a Corsan, e só assumirá o conserto se ficar atestado dano na rede pluvial.